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Sábado, Fevereiro 10, 2007
REPÓRTER DE CRIME em novo endereço
"Um time que vive de notícia, ama o Rio por inteiro e professa a religão do bom humor chega, com roupa de festa, ao planeta virtual". Assim foi anunciado, no Por Dentro do Globo de ontem, o site
"Ancelmo.com a turma da coluna", que acabou de estrear no Globo on line, e que vai hospedar este blog. A partir de hoje, o blog começa a funcionar no link
www.oglobo.com.br/ancelmo/reporterdecrime. Mais uma vez agradeço a todos aqueles que apoiaram o REPÓRTER DE CRIME desde seu nascimento, em agosto de 2005, especialmente a Alexandre Galante, diagramador do Globo e designer gráfico, quem me deu as primeiras dicas de blogueiro; aos repórteres Fábio Vasconcellos (meu primeiro leitor) e Cláudio Motta; e a campeã de comentários, a dra. Elisabeth Sussekind, advogada, pesquisadora da Casa de Rui Barbosa e ex-secretária nacional de Justiça.
Para entrar no site do Globo on line é preciso se
cadastrar aqui gratuitamente.
No link atual permanecerá a memória do blog.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:50 PM
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Joãozinho não morreu em vão
A tradicional Confeitaria Colombo, que tem mais de um século no Centro do Rio, se uniu à dor da cidade e seus garçons estão usando hoje braceletes pretos em sinal de luta pela morte do Joãozinho, o menino morto depois de arrastado sete quilômetros, pendurado pelo cinto de segurança do carro da mãe dele, roubado por assaltantes. A manifestação é apenas uma entre dezenas que foram feitas ontem pela cidade do Rio. Que a morte de Joãozinho não seja em vão, mas quem sabe nossa última chance de rever as leis, com equilíbrio e sensatez; de nos unir contra a violência. Sonhar não custa nada.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 11:11 AM
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Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007
A contagem de mortos não pára
Enquanto isso, em Gotham City, o "homicidômetro" (medidor virtual de homicídios) do
Rio Body Count atingiu agora há pouco a marca de 92 mortes violentas em apenas nove dias de inauguração. Equivale a uma média de 10 almas por dia. O site vai funcionar como outro instrumento de controle da sociedade, para se comparar com as estatíticas registradas pela polícia.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 1:59 PM
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O Rio chora por João
João Hélio Vieites, 2000 + 2007: infância roubada
A quinta-feira foi pesada.
Não só porque teve mais trabalho na editoria Rio, mas sobretudo porque tivemos o coração apertado pelo drama da família Vieites, que perdeu o pequeno João, de apenas seis anos, morto depois de arrastado por sete quilômetros, preso ao cinto de segurança do carro da mãe dele, roubado por dois bandidos anteontem à noite, em Oswaldo Cruz, subúrbio vizinho a Madureira.
Esse é mais um exemplo da brutalidade dos criminosos, maior a cada dia. O Rio de Janeiro vive uma crise na segurança pública, em que os episódios se sucedem sempre com um nível a mais de horror. Em menos de um ano, já vimos de tudo um pouco: mulher morta e serrada ao meio por um rapaz em Botafogo; um ônibus incendiado com passageiros impedidos de sair, que teve cinco mortos; e um ônibus interestadual também incendiado por traficantes deixando um saldo de oito mortos.
O caso do menino João é de comover o mais duro de coração. É o tipo de história que nos leva, por um momento, a escorregar e cair na tentação de acreditar na pena de morte como uma saída. Pelo menos para a vingança da sociedade.
O pior é que mais uma vez, como na grande maioria dos crimes de repercussão, há um menor de idade envolvido. Sua pena pode não chegar a 3 anos de detenção.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 2:20 AM
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A novela do portão
O governador Sérgio Cabral negou ter voltado atrás na decisão de derrubar o portão instalado pela milícia na Vila Joaniza, na Ilha do Governador. Mas o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse ontem que a medida ainda depende de uma investigação para se saber quem instalou o portão. Mas que novela, meu Deus! A providência é simples: se a favela está num espaço urbano público não pode haver portão com chave, impedindo as pessoas de circularem livremente.
Há quem argumente que as elites têm direito à rua particular. Mas se não houver autorização da prefeitura, também é ilegal. Não é porque os ricos praticam ilegalidades que os pobres ganham o direito de praticar também.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 2:14 AM
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Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007
O portão das dúvidas
Depois de desancar as milícias e anunciar que o portão construído pelos bandidos na Ilha seria detonado, o governador Sérgio Cabral voltou atrás, convencido pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, de que os próprios moradores são favoráveis ao fechamento da comunidade.
O secretário de Segurança deve estar se baseando apenas em informações do 17o Batalhão, da Ilha do Governador. Agora quem pode garantir que essas informações são isentas se o aparelho policial está todo infiltrado pelas milícias?
Se o portão não tivesse sido fechado pela milícia, será que a polícia toleraria porta em favela controlada pelo tráfico?
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 8:35 PM
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Enfim, o governador fala sobre milícias:
"Não podemos tolerar o estado paralelo"
Uma nova coincidência indica que o governador Sérgio Cabral ou pessoas próximas a ele estão monitorando este blog.
Uma hora depois de eu publicar o post "Silêncio dos Inocentes", no qual, afirmei que nem o governador nem o secretário de Segurança haviam ainda se manifestado com clareza contra as milícias, Cabral chegou a um compromisso de agenda em Niterói e classificou de inaceitável a colocação de portões impedindo o acesso à Vila Joaniza, na Ilha do Governador. As barreiras foram erguidas pela milícia na favela, como anunciou O GLOBO de hoje.
"Não se pode resolver o problema trocando o tráfico pelas milícias. Não podemos tolerar o estado paralelo, seja ele de traficantes ou das milícias", disse Cabral, com muita propriedade.
Ele orientou o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a determinar a destruição do portão da vergonha, na favela. Ele disse que é preciso evitar que a presença de milícias nas favelas do Rio tome proporções semelhantes a dos paramilitares que atuam na Colômbia.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 4:26 PM
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Nossos comerciais, por favor
Se você está preocupado com a sua segurança, visite o REPÓRTER DE CRIME duas vezes ao dia.
Não é nenhum Phosferine, mas ajuda.
Reprodução: "Sunday Dispatch" in "Deadline Disaster", com primeiras páginas
de jornais americanos com manchetes de tragédias e desastres
Essas são as armas do REPÓRTER DE CRIME para conseguir as notícias de violência e criminalidade, que podem nos ajudar a enfrentar essa chaga do século XXI. Agora só falta você mandar um alô ou um email (reporterdecrime@globo.com) para o repórter contando a sua novidade ou denúncia de crime. Gravadores, telefones, câmeras, lentes de aumento e bloquinho, tudo a serviço do leitor.
O blog REPÓRTER DE CRIME, inaugurado no dia 31 de agosto de 2005, entrará numa nova fase a partir do próximo domingo. O blogueiro que vos escreve foi convidado pelo jornalista Ancelmo Gois, do GLOBO, a fazer parte do site dele, que entrará no ar no domingo, dia 11. Com mais audiência, trazida por um dos maiores sites de notícias do Brasil, o blog associado ao site Ancelmo e a turma da coluna amplia sua contribuição jornalística por uma cidade mais segura. A responsabilidade vai continuar a mesma porque o respeito que tenho por apenas um leitor é o mesmo que tenho por mil. Meus sinceros agradecimentos a todos aqueles que têm apoiado esse trabalho solitário mas extratemamente solidário com a dor de gente que também sai nos jornais.
A mesa do "Repórter de Crime" num breve intervalo de descanso do telefone
Fotos: Jorge Antonio Barros
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 10:24 AM
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Silêncio dos inocentes
Pelo terceiro dia consecutivo, O GLOBO dá manchete para o problema das milícias. Na segunda, foi o confronto que deixou oito mortos. Ontem foi a vez do policial civil Félix dos Santos Tostes, que foi afastado pelo chefe da Polícia Civil, delegado Gilberto Ribeiro, por ter sumido do gabinete e ainda por cima ter uma denúncia anônima, bem fundamentada, do suspoto envolvimento do inspetor com a milícia de Rio das Pedras. Hoje, a manchete é "Milícia fecha favela com portão para barrar tráfico", do repórter Sérgio Duran.
Apesar de o assunto estar na primeira página de um dos jornais mais importantes do país, o problema das milícias ainda não mereceu nenhuma manifestação clara por parte do governo Sérgio Cabral. Com exceção do comandante geral da PM, coronel Ubiratan, que falou num site especializado em segurança do suposto envolvimento de policiais com os grupos paramilitares, e do Chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro ter afastado um assessor, nem o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, nem o governador Sérgio Cabral fizeram qualquer declaração vigorosa contra esses grupos ilegalmente armados. O mais estranho é que o próprio Beltrame afirmou antes de assumir o posto que investigaria o envolvimento de policiais com as milícias.
As razões para o silêncio podem ser duas: ou o governo do estado está preparando uma grande ofensiva contra os policiais envolvidos com milícias; ou está fazendo ouvido de mercador para o problema, em virtude da aparente aprovação popular das milícias, sobretudo nas comunidades em que o tráfico é muito violento.
Uma coisa é certa: se a questão não for enfrentada com rigor pelo novo governo, a sensação de insegurança será cada vez maior em toda a cidade, com o risco de enfraquecimento das instituições policiais.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 9:54 AM
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Leitores aprovam milícias
Das seis cartas sobre as milícias, que abrem
a seção de cartas do GLOBO de hoje, nenhuma é enfática contra a ação desses novos atores ilegamente armados e três delas defendem abertamente esses grupos parapoliciais.
Mas um email enviado ao Globo on line e assinado por um cidadão cujo nome vou declinar, dá medo:
"O Inspetor Félix dos Santos Tostes é, para mim, um grande herói, que organizou a pioneira e exitosa milícia da Favela Rio das Pedras.Merece, por isso, qualquer condecoração que tenha recebido. As autoridades estão cometendo um erro descomunal ao desprestigiar as milícias. A bandidagem retornará triunfante em muitas comunidades. O Governo está mexendo em vespeiro para aparecer na mídia. Ele que resolva o que possa haver de errado, mas não destruir as milícias."
Felizmente os leitores também não são donos da verdade e nem sempre a voz do povo é a voz de Deus.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 9:36 AM
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Saber e agir
Agora virou moda. A polícia de São Paulo informou que já sabia que os bandidos iriam queimar ônibus a noite passada. No início do ano passado um confronto tirou a vida de cinco inocentes na Favela da Rocinha e a Subsecretaria de inteligência também sabia de tudo - com exceção das mortes, é claro - com antecedência, mas a PM não se preparou adequadamente para enfrentar os criminosos.
A polícia do Rio também sabia há pelo menos um ano que o inspetor da Polícia Civil Félix dos Santos Tostes era suspeito de chefiar a maior e mais antiga milícia do Rio, a da favela de Rio das Pedras.
Félix, no GLOBO de hoje, nega a acusação: "EU APENAS CUIDO DA COMUNIDADE". Então tá.
O que está acontecendo com as polícias, de modo geral, é que tem sido grande a distância entre a hora em que sabe do ilícito penal - por meio de operações de inteligência - e age contra os agentes do crime.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 9:24 AM
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Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007
Perigo real e imediato
O ex-chefe de Polícia Civil, delegado Zaqueu Teixeira, diz com muita propriedade que as milícias representam maior perigo do que o tráfico de drogas. Pela simples razão de que - formada por policiais e ex-policiais civis e militares - as milícias estão entranhadas dentro do aparelho de estado e já começam até mesmo, segundo Zaqueu, a eleger representantes.
Pedi a opinião de Zaqueu no domingo à tarde, quando o encontrei passeando com a família num shopping da Barra.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 4:51 PM
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Os médicos de preto e o jargão policial nas páginas
A Folha de S. Paulo deste domingo traz uma matéria bem interessante sobre o
Gesar (Grupamento Especial de Salvamento e Ações de Resgate), da PM, que tem atuação única. A tropa de médicos e enfermeiros de preto e bem armados é responsável por resgatar policiais feridos em confronto. É mais um sinal de que realmente estamos em guerra.
O detalhe é que essa tropa sempre trabalhou discretamente e os bandidos feridos em confronto são socorridos apenas por veículos da polícia. A maioria dos bandidos morre "ao dar entrada" no hospital mais próximo.
Falando em "dar entrada" essa é uma das expressões que detesto na crônica policial carioca. É resultado do jargão dos plantonistas na sala de polícia dos hospitais públicos. Prefiro "morreu ao chegar no hospital". Outra expressão curiosa na reportagem de crime é "os policiais foram recebidos a tiros". Dá a idéia de uma sala de estar, na qual os anfitriões, jovens armados de fuzis, dizem aos policiais: "Sejam bem-vindos". E passam fogo.
Outras expressões abomináveis, mas comuns em reportagens policiais:
Trocar tiros (confronto) - dá idéia de um bafo-bafo com munição
Decúbito dorsal (de bruços) - parece nome de remédio para coluna
Nosocômio (hospital)
Elementos (homens)
Fortemente armados (já viu alguém estar fracamente armado?)
Viatura policial (quem atura?)
Dr. delpol (delegado de polícia)
idade presumível (idade aparente)
Tiro de misericórdia (o disparo fatal à queima-roupa)
manietado (com as mãos amarradas)
luta corporal (briga)
Se ocorrer mais alguma expressão dessas ao nobre leitor, por favor, deixe-nos saber.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:48 AM
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Domingo, Fevereiro 04, 2007
No meio do fogo cruzado
A PM ocupou agora de manhã a Favela do Barbante, na Ilha do Governador, onde foi travada uma nova batalha entre traficantes comandados por Marcelo PQD e uma milícia que domina o morro. Segundo as primeiras informações, foram mortos um PM e dois bandidos, entre os quais braço-direito de PQD. Os moradores, em pânico, revelaram que policiais do 17o Batalhão (Ilha) se aliaram aos milicianos contra os traficantes. Essa associação expúria já vem ocorrendo e foi tema de reportagem de Sérgio Ramalho, no Globo.
Com essa guerra da Ilha, já são 4 o número de disputas entre bandidos pelo território das favelas - duas delas envolvendo as milícias.
Desde a semana passada, estavam em guerra traficantes da Mineira e da Maré, onde houve um total de seis mortos. O contador do Rio Body Count não pára.
A duas semanas do carnaval, o Rio vive um novo clima de guerra e dessa vez está em destaque um novo ator ilegalmente armado: a milícia.
Para quem vai sair de carro agora, deve estar atento a dois pontos de risco de bala perdida: a Avenida Brasil, na altura de Parada de Lucas; e a Linha Vermelha, nas imediações da Maré.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 1:44 PM
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Sábado, Fevereiro 03, 2007
Você sabia?
Brasil: mortes violentas por ano equivalem
a duas bombas atômicas
em Nagasaki
Alguns posts abaixo citei o livro Guerra Civil, que calculou em 150 mil o número de mortos pela violência anualmente no país. Só para se ter uma idéia esse número equivale ao dobro de mortos no bombardeio de Nagasaki, um dos alvos da bomba atômica no Japão, no fim da Segunda Guerra. Quem quiser conhecer os números de mortos e os custos dos maiores conflitos armados nos últimos 50 anos deve visitar o site do
Tortuga, uma ONG antimilitarista.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 9:39 PM
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Dá-lhe comandante
O comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Ângelo, disse em entrevista ao site
Comunidade Segura, do Viva Rio, que há indicações do envolvimento de policiais com milícias no Rio. É um excelente passo em direção à repressão a esse novo ator armado do conflito fluminense.
A Subsecretaria de inteligência, da Secretaria de Segurança, tem uma investigação em andamento sobre o complexo tema, depois que o secretário José Mariano Beltrame determinou rigor na apuração do envolvimento de policiais com aqueles grupos ilegalmente armados.
O coronel Ubiratan disse mais:
"A presença ostensiva de justiceiro na rua não é instrumento de segurança pública"
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 9:25 PM
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Cena de guerra na Colômbia:
as milícias dominam mais uma favela no Rio
Criança encapuzada numa cena do conflito armado na Colômbia
Uma fonte me informou agora à tarde que viu com os olhos que serão da terra uma cena digna da guerra na Colômbia: cerca de 20 homens fortemente armados e encapuzados faziam revista de veículo por veículo, a procura de traficantes em fuga. Não eram policiais, mas integrantes de milícias - os grupos parapoliciais - que dominaram essa madrugada a comunidade da Cidade Alta, em Cordovil. Não há notícia de que nenhum policial do batalhão da áerea tenha ido lá incomodar os milicianos. O motivo é simples: como se sabe, são os próprios policiais que ajudam os milicianos a ocuparem as favelas antes dominadas pelo tráfico de drogas. Embora a mudança pareça positiva, tudo não passa de ilusão. Logo logo os moradores da Cidade Alta terão que se submeter às regras do novo opressor e ainda por cima pagarem um cota pela proteção de suas casas. Só isso explica também porque muito policial que bebe na fonte do tráfico acaba aderindo às milícias.
Com a Cidade Alta, já soma 92 o número de favelas dominadas pelas milícias, de um total de 600 favelas no município do Rio.
O sociólogo Marcelo Burgos, da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica), contemplado pelo edital Direitos Humanos e Cidadania, da FAPERJ, fez um belo trabalho sobre a solidariedade a cidadania nas favelas, apesar da tirania do tráfico ou das milícias.
Por falar em milícia,
um PM do Batalhão de Choque, que seria chefe de uma das famílias de milicianos, tombou essa madrugada na saída do ensaio da escola de samba Renascer de Jacarepaguá, naquele bairro. Estava num Audi. Foi metralhado sem piedade.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 8:48 PM
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Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007
O almirante tira o capuz
Trinta anos depois, os militares na Argentina tiram o capuz. Saiba mais na matéria da correspondente da BBC em Buenos Aires, minha amiga Márcia Carmo.
Pela primeira vez desde a volta da democracia argentina, há 23 anos, um dos líderes da repressão (1976-1983) assumiu, pessoalmente, a responsabilidade pelas torturas e mortes de opositores ao regime militar e eximiu seus subordinados. O militar que tirou o capuz é o vice-almirante reformado Luis María Mendía, de 82 anos, que cumpre prisão domiciliar. A ditadura militar argentina foi a mais truculenta da América Latina, responsável pelo desaparecimento de 30 mil pessoas.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:57 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
Em pé de guerra
A idéia do Rio body counts pode ter sido inspirada numa declaração dada ontem pelo governador Sérgio Cabral, em entrevista a meu amigo
Sidney Rezende, âncora da CBN, na qual afirma que "O RIO É UM CASO DE GUERRA".
Nos últimos 25 anos, não me recordo de nenhum governante que tenha coragem de afirmar isso. Procurado por repórteres do Globo, ontem à tarde, Cabral minimizou a declaração, mas já era tarde. O JB deu de manchete hoje.
Leia a transcrição de parte da entrevista de Cabral a CBN:
"Sidney: A FNS (Força Nacional de Segurança) não deu certo?
Cabral: Não, pelo contrário. O secretário Luiz Fernando estava me falando ontem, olha governador, a presença da Força nas dividas já está gerando uma inibição da entrada de armas e drogas. Agora a FNS começa a entrar na região metropolitana do Rio de Janeiro. São 700 homens e temos a perspectiva de aumento deste contigente. São todos policiais militares de outros estados, muito bem treinados, e tem sido um apoio importante para nosso trabalho.
Segurança pública não dá para medir no curto prazo. Nós vamos continuar tendo roubos de automóveis, infelizmente, homicidios, infelizmente, nós vamos continuar tendo problemas na segurança como qualquer grande cidade do mundo tem, mas no Rio de Janeiro muito agravada. O Rio é um caso de guerra. Eu não tenho a menor dúvida de que nós próximos meses já vamos sentir mudanças. Você que a polícia está entrando nas comunidades, está prendendo bandidos. Deslocamos para Catanduvas 12 marginais que comandavam da prisão o crime organizado no Rio de Janeiro. Nós continuaremos combatendo o crime organizado. Entramos em favelas sem matar um inocente. Matamos bandidos porque reagiram à ação da polícia. Apreendemos drogas, armas. Esta é uma luta que não é para ser vitoriosa no curto prazo. Ela já está tendo resultados positivos, mas nós vamos continuar trabalhando. É um trabalho dioturno.
Sidney: A FNS está autorizada a vir para a Região Metropolitana?
Cabral: Já está autorizado. Na região metropolitana começa no mês de fevereiro, já começa a entrar. Vai trabalhar conosco. É importante dizer que a FNS inteira tem 7 mil homens. Ela é complementar à PM que tem 39 mil homenes. Nós estamos redefinindo a logistica da presença da PM. Ela tá muito motivada. Porque ela está vendo que os comandantes de batalhão estão sendo escolhidos por critérios técnicos. Que não há influência política, que no currículo não precisa constar amizade com deputado, prefeito, vereador para ter um crescimento profissional interno. Isto tudo está sendo motivo de muito estímulo tanto na PM como na Civil."
O Aurélio define guerra como:
"[Do germ. ocidental werra, 'discórdia', 'peleja'.]
S. f.
1. Luta armada entre nações ou partidos; conflito.
2. Expedição militar; campanha.
3. Combate, peleja, luta, conflito.
4. P. ext. A arte militar.
5. A administração, os negócios militares: 2
6. Fig. Oposição, hostilidade: 2 "
A guerra do Rio é um conflito armado, não convencional, que produz cerca de seis mil mortos por ano. O escritor Luís Mir, autor de
"Guerra Civil/ Estado e trauma", diz que o Brasil está numa guerra com 150 mil mortos por ano e um prejuízo de R$ 21 bilhões.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 8:54 PM
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Quando o repórter é notícia
Desculpem o marketing pessoal, mas nos blogs vale quase tudo: vejam a entrevista que este blogueiro deu ao superrepórter Marcus Veras, na revista dele, a
Papyrus.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 4:38 PM